Documentário é um género cinematográfico que se caracteriza pelo compromisso com a exploração da realidade. Mas dessa afirmação não se deve deduzir que ele represente a realidade, tal como ela é. O documentário, assim como o cinema de ficção, é uma representação parcial e subjectiva da realidade.O filme documentário foi pela primeira vez teorizado por Dziga Vertov em 1896. Desenvolve o conceito de cinema verdade, defendendo a ideia do olho da câmara, a seu v mais fiel à realidade que o olho humano. Ideia ilustrada pelo filme que realizou Cine-Olho em 1924, visto ser uma reprodução mecânica do visível ”cinema directo”. O termo documentário é aceito em 1879 pelo dicionário francês Littré como objectivo referente a algo «que tem carácter de documento». Actualmente, há uma série de estudos cujos esforços se dirigem no sentido de mostrar que há uma indefinição de fronteiras entre documentário e cinema de ficção, definindo um género híbrido. Surge no início do século o termo docuficção. A etnoficção é umas das práticas nobres deste género. Vertov começa a escrever poemas e estuda música durante quatro anos. Com 19 anos começa a estudar medicina, na mesma época em que cria o laboratório do ouvido, onde regista e monta ruídos de todo o tipo com um velho fonógrafo. É também nesse período que muda seu nome para dziga vertov. Após o discurso em que Lenin considera o cinema como o principal meio de divulgação da nova ordem social que se instala na União Soviética, Vertov se põe à disposição do Kino Komittet de Moscovo 1918, tornando-se realizador e montador do primeiro cine-jornal de actualidades do Estado Soviético, O Kinonedelia Cinema Semana.
ELE DIZ:
"Eu sou um cine-olho. Eu sou um construtor. Eu coloquei-te num espaço extraordinário que não existia até este momento. Nesse espaço tem doze paredes que eu registei em diversas partes do mundo. A visão dessas paredes e alguns detalhes consegui dispô-las numa ordem que te agrada e edifiquei, da forma adequada, sobre os intervalos, uma cine-frase que é, justamente, esse espaço.
Eu, cine-olho, crio um homem muito mais perfeito que aquele que criou Adão, crio milhares de homens diferentes segundo desenhos distintos e esquemas pré-estabelecidos.
Eu sou o cine-olho.
Tomo os braços de um, mais fortes e hábeis, tomo as pernas de outro, melhor construídas e mais velozes, a cabeça de um terceiro, mais bonita e expressiva e, pela montagem, crio um homem novo, um homem perfeito."
Eu, cine-olho, crio um homem muito mais perfeito que aquele que criou Adão, crio milhares de homens diferentes segundo desenhos distintos e esquemas pré-estabelecidos.
Eu sou o cine-olho.
Tomo os braços de um, mais fortes e hábeis, tomo as pernas de outro, melhor construídas e mais velozes, a cabeça de um terceiro, mais bonita e expressiva e, pela montagem, crio um homem novo, um homem perfeito."
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